24 de outubro de 2016

Obra psicografada por Chico Xavier desmente versão sobre alegadas vidas femininas Chico Xavier não foi Flávia Lentúlia, nem Joana (a Louca), nem Caroline Baudin nem Ruth-Céline Japhet






Chico Xavier não foi Flávia Lentúlia, nem Joana (a Louca), nem Caroline Baudin nem Ruth-Céline Japhet 



Desde a desencarnação de Allan Kardec, que as trevas temiam a sua reencarnação, devidamente legitimada pelo seu anúncio nas páginas da codificação pelo Espírito da Verdade, pelo próprio Kardec, pelo seu espírito familiar Zéfiro e pelo médico e amigo Dr. Demeure.

Como há 2000 anos, a Espiritualidade Superior conseguiu iludir as sombras, preparando a reencarnação do codificador numa cidade e numa família muito humilde de Minas Gerais. Logicamente, não seria o próprio Apóstolo do Cristo a denunciar-se, perante as investidas espirituais e terrenas. Os obstáculos que Chico Xavier teve que enfrentar dentro do Movimento Espírita foram tão árduos, que esta “era uma cruz que ele não precisava carregar”. Confrontado com a hipótese de ser Kardec, Chico tomou diversas posturas: negação pública, confirmações íntimas sutis, contornar a questão ou adiá-lá para quando a sua tarefa estivesse realizada.

Em 1991, foi publicado “Kardec prossegue”, de Adelino da Silveira, a primeira obra a defender a tese que Chico Xavier é a reencarnação de Kardec. O livro foi revisado pelo próprio Chico e orientado por Emmanuel. A aprovação da tese por parte de Chico está evidenciada nas dezenas de dedicatórias que o médium enviou para os seus amigos (9 delas devidamente documentadas no canal do YouTube Portal Despertar https://www.youtube.com/user/emanofsilva) a mais significativa das quais ao autor do livro. Chico Xavier reconhece (em assinatura) que é Allan Kardec https://www.youtube.com/watch?v=kY2foNsb2Ls

Perante este cenário, é natural que surgissem diversos companheiros no Movimento Espírita a contrariar a tese, começando por colocar em causa que Kardec reencarnou, o que naturalmente é uma “postura anti-doutrinária.” Desde a publicação desse livro e a sua defesa por diversos amigos íntimos de Chico - expressa na tese do Dr Weimar “A Volta de Allan Kardec” – surgiram alguns livros com várias edições (com particular incidência nos últimos 10 anos) nas bancas espíritas cujas opiniões pessoais se disseminaram no Movimento Espírita como se de fatos reais se tratassem. Como as obras de Kardec e Chico Xavier desmentem de forma taxativa várias das teorias propagadas nas mídias espírita, não podemos ser omissos e cúmplices perante elas, pelo que é nosso dever esclarecer os leitores através de fontes cristalinas para que eles possam estudar, comparar e selecionar as informações.

No seu livro contra a tese, “Chico, você é Kardec?”, Wilson Garcia comenta: “Entre os componentes do grupo [de relacionamentos do médium Chico Xavier], corriam muitas informações contraditórias; uns diziam que Chico era uma personalidade do passado, outros diziam que era outra. Assim, foi tido como a reencarnação de uma das irmãs Baudin, Caroline ou Japhet, conforme depoimento de Antônio César Perri de Carvalho.”

O ex-presidente da FEB começa por cometer o equívoco de achar que Japhet era irmã de Caroline, quando a sua irmã era Julie Baudin. Japhet era de outra família. Erro que Wilson Garcia não teve o cuidado de corrigir na sua obra, onde reitera: “ A relação aí parece clara: um médium ligado a outro. As irmãs Baudin, como se sabe, tiveram participação direta na recepção mediúnica das questões que compõem "O Livro dos Espíritos" e trabalharam com Allan Kardec.”

No livro “Chico, diálogos e recordações” que faz um inventário de vidas apenas femininas de Chico Xavier, Alberto Costa cita entre outras as de Flávia Lentúlia e Joana, a louca. Observemos como as cartas do espírito de Inês de Castro pelas mãos de Chico Xavier desmentem essas alegações.

A obra “Mensagens de Inês de Castro”, histórica (em diversos sentidos) é do espírito de Inês de Castro, psicografia de Chico Xavier, e organização de Caio Ramacciotti (editora GEEM), filho de Rolando Ramacciotti, cuja família manteve e sempre teve grande intimidade pessoal com Chico Xavier. Os comentários de Caio Ramacciotti baseiam-se nas cartas que o próprio recebeu de Inês por intermédio de Chico.

No capítulo “O Chico que conheci” Caio recorda: “Lembro-me, com imensa saudade, de que o Chico, ao passar-me às mãos a primeira mensagem mediúnica de Inês de Castro, disse-me: - Caio, estas páginas lhe pertencem, como lhe pertencerão as futuras que Inês eventualmente escrever. Faça delas o uso que sua intuição no devido tempo sugerir. Muito interessante é o fato de constar em destaque, sempre no início de cada capítulo do texto recebido pelo Chico, o seguinte título: “Livro Mensagens de Inês de Castro.”

Estudemos o cap. 23 Novas reencarnações (1ª à 31ª edição): “Cessada a tumultuada existência nos tempos medievais, D. Afonso IV, D. Pedro I e Inês de Castro retornaram à Terra, no continente europeu, ajustando as vivências do passado de que foi vítima a desafortunada jovem. Foram poucas as novas experiências que viveram no período de quinhentos anos, até o século XIX. Destacamos, resumidamente, a presença de Inês e Pedro na Espanha, entre o último quartel do século XV e meados do século XVI. Ela, conhecida por Joana, a Louca, infeliz aposto que não corresponde à realidade. Ele, como Felipe I, da Casa dos Habsburgos. (…) Em 1496, Joana casa-se com Felipe I, o Belo, filho de Maximiliano I, soberano da dinastia dos Habsburgos da Áustria. (…) A considerada loucura, que a mantinha presa, isolada, nada mais era do que a manifestação de sua mediunidade, em que se destacava a vidência (…) Como veremos a seguir, o período de meio século, em que Joana ficou detida, serviu de preparação para suas atividades mediúnicas à época de Kardec (…)

O livro “Chico, diálogos e recordações” diz que Joana, a louca é o mesmo espírito que Flávia Lentúlia e nisso estamos de acordo.

No Esclarecimento de todas as edições (da 1ª em 2006 até à 31ª em 2016), Caio diz: “Por respeito a pessoas encarnadas e seus familiares, o conteúdo das mensagens não foi colocado integralmente.” Muitos críticos da tese e do livro alegam que algumas revelações que estão nos comentários de Caio não estão nas cartas de Chico, demonstrando que não leram o livro todo e que as verdades históricas que ele contém são inconvenientes aos seus preconceitos.

Além dos juízos de valor sobre a idoneidade e honestidade intelectual dos autores do livro, os opositores da tese Chico/Kardec evidenciam também falta de respeito pela intimidade das pessoas e familiares, que foi preservada pelo organizador da obra. A credibilidade desta obra e de todas as outras do GEEM (Grupo Espírita Emmanuel), não pode ser colocada em causa por quem não tem frutos no movimento espírita como a família Ramacciotii e seu grupo têm, sempre sob orientação de Chico Xavier.

No livro “Chico, diálogos e recordações”, Arnaldo Rocha cita Camilo Chaves: “Disse que Semíramis, personagem principal do livro, era espírito de vastas aquisições espirituais e que hoje é muito atuante no mundo espiritual, apresentando-se atualmente, em nossas reuniões, como Irmã Ritinha. Arnaldo diz que a Rainha Semíramis (Irma Ritinha) teria sido Inez de Castro. Carlos Alberto em comunicação pessoal (2015): “informo que Inez de Castro viveu no Brasil no século XIX como um escrava de nome Ritinha e durante a última encarnação do seu general Lecon (no livro Semíramis) Senador Camilo Rodrigues Chaves, foi a sua Benfeitora (Semiramis).”

A obra “Mensagens de Inês de Castro” de Chico Xavier desmente mais uma vez o livro acima citado, pois Inês de Castro reencarnou como Caroline Baudin, médium de Kardec. [continuando o raciocínio do parágrafo citado anteriormente]: Mais tarde, na França do século XIX, esteve Inês envolvida com as tarefas relativas à nascente Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, na roupagem física de Caroline Baudin, filha de Émile-Charles e Clémantine Baudin. Caroline participava, com a irmã Julie, da constelação de médiuns que trabalhou com Kardec na elaboração de O Livro dos Espíritos.

Kardec as estimava muito, dedicando especial carinho e afeição a Caroline, dois anos mais velha que Julie. Aos 18 anos, quando do lançamento da primeira obra da codificação, a 18 de abril de 1857, já denotava Caroline rara evolução e maturidade precoce em sua alegre e angelical postura.

A obra de Canuto Abreu “O Livro dos Espíritos e sua tradição histórica e lendária” (legitimada pelo prefácio de Emmanuel/Chico Xavier), confirma essa afinidade de Kardec com Caroline: “Assim, se devo favores a mais de dez médiuns, que nomearei daqui a pouco, a essas três meninas — sobretudo à Caroline fiquei devendo os maiores.”

[finalizando o parágrafo anterior]: 


Concluída a tarefa que lhe reservara o Plano Espiritual, Caroline casou-se, em outubro do mesmo ano, com o companheiro do episódio medieval referente a Inês de Castro. O casal foi residir, com os familiares dela, em Reunião - departamento francês no Oceano Índico, constituído por ilhas e arquipélagos - onde o Sr. Émile-Charles Baudin possuía propriedades de cultivo agrícola.

Geraldo Lemos Neto - amigo de confiança de Chico Xavier, Martins Peralva e D Neném Aluotto - assegura que Semíramis não é Inês de Castro. Já em 2006 em entrevista à Folha Espírita (2006), Geraldo tinha esclarecido que o espírito de Inês “animou a sacerdotisa da Babilônia, ao tempo de Semíramis.

Semíramis atingiu a sua redenção no Brasil escravocrata do século XIX envergando a pele da escrava Ritinha. No século XX esse espírito manifestava-se apenas pela psicofonia de alguns médiuns em forma de Preta Velha, com o nome de Ritinha. As comunicações ocorreram nas reuniões do Cenáculo Espírita Antônio de Pádua em Belo Horizonte, dirigido pela Dona Neném Aluotto, que naquela época tinha sido a escrava proveniente de Núbia (Egito) que atendia Semíramis. No século XX não encarnou, permanecendo na espiritualidade guiando encarnados afins como Camilo Chaves e Neném Aluotto. Divaldo Franco em conversa com o pesquisador Oceano Vieira de Melo (nos Jardins da FEB, vídeo de 2014) revela que “Camilo Chaves foi Nabucodonosor II, Rei da Babilónia (séc. VII a.C.) e que Camilo no séc. XX não conheceu Semiramis que estava no além.”

Recordemos 2 capítulos da Tese do Dr Weimar Muniz de Oliveira A Volta de Allan Kardec (7ª parte) – Crítica, uma vez que há quase 10 anos que muitos espíritas demonstram desconhecer a tese na íntegra, enquanto outros pretendem que seja relegada ao véu do esquecimento.

cap. 103 - Mensagens de Inês de Castro (Desvendada a trajetória de um Espírito)

LIVRO DE CHICO XAVIER PÕE FIM A SUPOSIÇÕES EQUIVOCADAS DO MOVIMENTO ESPÍRITA DESVENDADA TRAJETÓRIA DE UM SÓ ESPÍRITO:

Flávia Lentúlia, Inês de Castro, Joana (a Louca) e Caroline Baudin

O livro Mensagens de Inês de Castro, recebido por Francisco Cândido Xavier, na década de 70 e que se encontrava sob os cuidados do caro irmão Caio Ramaccioti, de São Bernardo do Campo - SP, vem agora a lume, nesse momento de grave agitação, em que, entre outras artimanhas para desacreditar o Espiritismo, se pretende depreciar a pessoa de Chico Xavier.
Na entrevista de Geraldo Lemos Neto à Folha Espírita (outubro de 2006, nº 388, p. 3, ano XXXIII, nº 388) sobre a obra e sua oportuna publicação, vê-se que a significativa manchete, sob o título – DESVENDADA TRAJETÓRIA DE UM SÓ ESPÍRITO: Flávia Lentúlia, Inês de Castro, Joana (a Louca), e Caroline Baudin –, comprova que a divulgação provocativas de que Chico Xavier seria às personagens históricas nomeadas, mais não é do que lamentável exploração dos que querem amesquinhar-lhe a personalidade.

A entrevista se faz anteceder de expressivo esclarecimento:

Livro de Chico Xavier põe fim a suposições equivocadas do Movimento Espírita 

E complementa: “A capa do livro Mensagens de Inês de Castro, que chega este mês às livrarias e está sendo divulgado nesta edição, com exclusividade, pela Folha Espírita, exemplifica bem o que os leitores encontrarão em suas páginas: seria imaginário, não fossem os dados históricos; seria um belo romance, não fossem as adversidades; seria inacreditável, não fossem as cartas recebidas por Chico Xavier.

O 433º livro psicografado pelo médium mineiro, editado pelo Grupo Espírita Emmanuel (GEEM), de São Bernardo do Campo (SP), traz mensagens psicografadas por Chico Xavier, em 1977, do espírito Inês de Castro - a amante e o grande amor de Dom Pedro I, assassinada a mando de seu pai, D. Afonso IV –, e que põe por terra suposições do Movimento Espírita de que o médium mineiro seria a reencarnação de Caroline Baudin, uma das médiuns utilizadas na codificação kardequiana, no século XIX, a própria Inês de Castro de cinco séculos antes. Tais mensagens foram sempre dirigidas a Caio Ramacciotti, filho do fundador do GEEM, que as guardou todos esses anos como, conforme diz, “um verdadeiro tesouro da espiritualidade”.

Desvendada trajetória de um só espírito: Flávia Lentúlia, Inês de Castro, Joana, “a Louca” e Caroline Baudin. 

A entrevista:

Folha Espírita (FE) – De início, gostaríamos que explicasse a sua ligação com o livro Mensagens de Inês de Castro. Sabemos que o autor, Caio Ramacciotti, pediu-lhe a apresentação do livro e que o representasse nesta entrevista. Geraldo Lemos Neto

(GLN) – “Em 2 de abril deste ano, ocasião que nos relembra o aniversário de Chico Xavier, inauguramos, em Pedro Leopoldo (MG), um centro de referência à obra do querido médium em local de sua antiga residência a que chamamos simplesmente de Casa de Chico Xavier. No local temos expostas, por gentileza de várias editoras espíritas, todas as 427 obras psicografadas pelo Chico, além de outras tantas que falam sobre sua vida exemplar. Dentre as editoras que nos brindaram com a generosa oferta de seus livros estava o Grupo Espírita Emmanuel (GEEM), de São Bernardo do Campo (SP), hoje dirigido pelo nosso estimado Caio Ramacciotti. Na ocasião, recebemos a remessa dos livros do GEEM e, em retribuição à sua generosidade, enviamos-lhe um exemplar do mais recente livro da psicografia de Chico Xavier, o Sementeira de Luz, que tivemos a alegria de editar pela Vinha de Luz – Serviço Editorial, contando com a eficiente organização de Wanda Joviano, contendo mensagens ainda inéditas de seu avô, conhecido pelos espíritas como Neio Lúcio. Segundo nos relatou Ramacciotti, assim que recebeu o livro em sua casa, um impulso incoercível o fez devorá-lo para, em seguida, reler os romances 50 Anos Depois e Renúncia, de Emmanuel, que se encadeiam perfeitamente com o grupo espiritual revelado no Sementeira de Luz. Sem atinar sobre as profundas razões espirituais que o emocionavam nas referidas leituras, ele foi remetido às lembranças de um passado longínquo descortinado pela incomparável mediunidade de Chico Xavier que, em 1977, havia lhe entregue copioso material de cartas psicografadas de autoria do espírito de Inês de Castro

FE – O que aconteceu a partir daí?

GLN - Uma intensa troca de telefonemas absorveu-nos desde então, estabelecendo uma ponte ligando São Paulo a Belo Horizonte, com discussões sobre as revelações do espírito de Inês de Castro e aquelas que trafegavam nos dramas dos grupos liderados por Célia, que foi personagem do livro 50 Anos Depois, e Alcione, do livro Renúncia, ambos de Emmanuel; e Isabel de Aragão, rainha santa de Portugal, a mesma ministra Veneranda do livro Nosso Lar. Até então nada tínhamos que ligasse um grupo ao outro, até que a chave para solucionar este enigma viesse com o socorro da espiritualidade. Wanda Joviano, a organizadora do Sementeira de Luz, revendo os seus arquivos de família, encontrou o original de uma mensagem de Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, datada de 19 de setembro de 1945, em que o benfeitor espiritual revelava a identidade do personagem Lésio Munácio, do livro 50 Anos Depois, como sendo Batuíra, o pioneiro do Espiritismo no Brasil. O véu da verdade foi, enfim, levantado, pavimentando a ponte de ligação entre os dois grupos espirituais unidos por laços imorredouros de afinidades longínquas.

FE – Mas qual a ligação da família Ramacciotti, mais especificamente de Caio, com os espíritos Batuíra e Isabel de Aragão, a rainha Santa de Portugal?

GLN – Ficou esclarecido, através dos mentores espirituais, que Lésio Munácio, cuja história é tratada em 50 Anos Depois, é o cristão do século II da cidade de Minturnes que adotou o pseudônimo de Marinho e acolheu em sua casa a presença de Célia Lucius, encaminhando-a depois para Alexandria. No século XIV, em Portugal, Lésio Munácio reencarna e anima a personalidade de Dom Dinis, esposo da rainha Santa Isabel de Aragão, o mesmo espírito que no livro Nosso Lar é conhecido como ministra Veneranda. Dom Dinis foi pai de Dom Afonso IV e avô de Dom Pedro I, este último protagonista de uma intensa saga de amor com Inês de Castro. E no século XVI, Lésio Munácio/Dom Dinis é a personalidade de João Ramalho, destemido português que fundou o que hoje são as cidades de São Bernardo do Campo e Santo André, vizinhas da capital paulista. Esta foi, por sua vez, fundada por padre Manuel da Nóbrega, que é, como todos nós sabemos, o nosso benfeitor Emmanuel. Na seqüência das vidas sucessivas, Lésio Munácio/Dom Dinis/João Ramalho retorna, por fim, no século XIX, como o português Antônio Gonçalves da Silva, cognominado Batuíra, em São Paulo, onde converteu-se em valoroso pioneiro espírita-cristão do Brasil. E Batuíra é o mentor espiritual do GEEM e do Nosso Lar, por ele patrocinados. Através da psicografia de Chico Xavier, enviou, mês a mês, durante décadas, cartas de esclarecimento e instrução a Rolando Ramacciotti, pai de Caio, mais tarde convertidas no primeiro livro editado pelo GEEM: o Mais Luz. Como vimos, Isabel de Aragão foi esposa de Dom Dinis e está, portanto, profundamente ligada a todo o grupo.

FE – Se as mensagens foram recebidas pelo médium Chico Xavier em 1977, por que só agora estão sendo publicadas?

GLN – A sabedoria popular já diz que tudo tem o seu tempo, a hora certa. Em 1977, Francisco Cândido Xavier chamou Caio Ramacciotti para lhe entregar a primeira carta do espírito de Inês de Castro que lhe foi dirigida. Na época disse-lhe: - “Caio, esta mensagem lhe pertence, como lhe pertencerão as futuras que o espírito de Inês de Castro eventualmente escrever. Faça delas o uso que sua intuição no devido tempo sugerir. E o interessante é que no início de cada nova carta mediúnica recebida pelo Chico, ele mesmo grafava no cabeçalho em letras garrafais: Livro: Mensagens de Inês de Castro. Quase 30 anos se passaram sem que o estimado Caio se animasse a publicar aquele surpreendente material, esperando sempre por um sinal da espiritualidade que o motivasse a fazê-lo.

FE – E qual foi esse sinal?

GLN – Segundo ele, este sinal foi a comoção que o dominou na leitura do Sementeira de Luz. Posteriormente, ambos compreendemos a premência da necessidade dessas revelações uma vez que outras publicações surgiram no Movimento Espírita contendo informações equivocadas acerca dos mesmos personagens. Era necessário restabelecer a verdade.

FE – No livro, há revelações surpreendentes sobre as várias vidas de Inês de Castro? Você poderia resumi-las?

GLN – De fato, as revelações são surpreendentes. Esclareço que se trata de uma saga de amor que venceu os séculos, cuja origem desconhecemos, mas, pela revelação inequívoca de Chico Xavier, poderemos acompanhá-la já desde os tempos da Babilônia, no reinado de Semíramis (século IX A.C), desdobrando-se na época do Cristo, no conhecido romance de Emmanuel Há 2000 Anos, na ligação dos personagens Plínio Severus e Flávia Lentúlia, filha de Públio Lentulus. A história atinge o ápice dramático no século XIV, aqui relatado pela união entre Dom Pedro I de Portugal e Algarves e Inês de Castro, como mais uma etapa reencarnatória do casal.

FE – E como prossegue o drama de Inês de Castro? 

GLN – Seu drama existencial prossegue na Espanha do século XVI, com o amor entre Dom Felipe I, da Casa dos Habsburgos, com a rainha Dona Joana, filha dos reis católicos, injustamente cognominada de a Louca. Reedita-se a saga na França do século XIX, na presença de Allan Kardec, que vê um jovem oficial do exército francês se casar com Caroline Baudin, uma das irmãs Baudin, de cuja excelente mediunidade se utilizou o Codificador para obter os ditados mediúnicos constantes de O Livro dos Espíritos. Sempre guiada do Mais Alto pelo espírito de Isabel de Aragão/Veneranda, a quem está ligada por laços espirituais profundos, redimiu-se de seus erros passados. Como vemos, foi uma longa saga, porque o mesmo espírito animou a sacerdotisa da Babilônia, ao tempo de Semíramis: Flávia Lentúlia/ Inês de Castro/ Joana (a Louca)/ Caroline Baudin.

FE – Mas por que as pessoas confundem essas várias existências de Inês de Castro com as de Chico Xavier?

GLN – São essas informações equivocadas a que me referi anteriormente. Atribuiu-se a Chico Xavier essas reencarnações, que de fato não lhe pertencem. As mensagens psicografadas por ele de autoria do espírito de Inês de Castro são uma prova contundente desta impossibilidade. Certamente admitimos a profunda afinidade de Chico Xavier com o espírito superior que é Inês de Castro e, certamente, há revelações que ainda não vieram a lume a este respeito.

FE – E qual seria a ligação de Chico Xavier com esses espíritos?

GLN– Creio que o espírito do médium, com sua inequívoca elevação espiritual, esteve sempre ligado aos dois grupos das famílias espirituais lideradas por Célia/Alcíone e Neio Lúcio, de um lado, e Isabel de Aragão/Veneranda e Batuíra, por outro. Vale lembrar que Neio Lucio foi personagem do livro 50 Anos Depois, tendo reencarnado no Brasil como Artur Joviano, pai de Rômulo Joviano. Chico Xavier bem poderia ter sido o mentor e guia de todos eles, conhecendo-lhes, portanto, todas as particularidades de seus dramas evolutivos no curso dos vários séculos. Não é, portanto, sem razão que ele serviu de medianeiro para que suas histórias fossem conhecidas no mundo desde os romances de Emmanuel até o atualíssimo Mensagens de Inês de Castro. Depreende-se disso tudo que Chico Xavier, em sua humildade, não poderia revelar-se tal qual efetivamente é em sua personalidade espiritual no início de sua tarefa missionária na Pedro Leopoldo da primeira metade do século XX. Ele tinha de se apagar, se anular, para que a mensagem do Consolador pudesse dar os frutos almejados em terras brasileiras. Daí, talvez, a confusão de alguns confrades menos avisados sobre a identidade espiritual de Chico Xavier.

FE – Sabemos que Inês de Castro não reencarnou no século XX. Com quem ela fez planos para a evolução espiritual de todo o grupo familiar encarnado?

GLN– A conclusão óbvia pelo teor das revelações enfeixadas neste novo livro é que o espírito de Inês de Castro permaneceu na espiritualidade no século XX ao lado de Isabel de Aragão/Veneranda, traçando planos de trabalho e progresso para a família espiritual de suas mais profundas afinidades ainda domiciliada na retaguarda terrestre. Era preciso que esse grupo querido, novamente reencarnado no Brasil, desempenhasse os seus sagrados deveres para com o Evangelho de Jesus e a difusão da Doutrina dos Espíritos. Cremos que ela, Inês de Castro, atingira a redenção espiritual como Caroline Baudin, uma das médiuns utilizadas na codificação kardequiana, no século XIX. Diversos companheiros de jornada terrestre, no entanto, precisaram retornar à cena do mundo no século XX capitaneados por Dom Afonso IV.

FE – Quer dizer que Rolando Ramacciotti foi Dom Afonso IV, filho da Rainha Santa Isabel de Aragão e de Dom Dinis, o casal que os espíritas aprenderam a estimar com o nome de Veneranda e Batuíra?

GLN– Sim, as ilações são pertinentes. Os espíritos redimidos de Veneranda e Batuíra, através da mediunidade ímpar de Chico Xavier, inspiraram a fundação do GEEM e da creche Nosso Lar pelo filho de outras eras que liderou sua família neste desiderato. Rolando Ramacciotti cumpriu os propósitos da Vida Maior, retornando à espiritualidade em 1979, e seus descendentes prosseguem até hoje nesta abençoada tarefa.

FE – Qual a importância deste livro para a história do Movimento Espírita?
GLN– Este livro vem, sobretudo, esclarecer-nos num momento crítico do Movimento Espírita brasileiro, após o quarto aniversário da desencarnação de Chico Xavier. É um momento em que nos sentimos órfãos da presença física do amado Chico, em meio a especulações sem nenhum sentido sobre o seu passado espiritual. Para resumir, Mensagens de Inês de Castro vem colocar alguns pingos nos is, restabelecendo a verdade dos fatos incontestáveis, surgidos diretamente das abençoadas mãos de Chico Xavier

cap. 104 - O Livro Mensagens de Inês de Castro


Pode-se dizer, sem dúvida, que esse livro adveio de raro fenômeno premonitório. Por volta do ano de 1977, Chico Xavier recebeu a primeira mensagem de Inês de Castro, em Uberaba. Pegou-a e entregou-a ao seu gentil e particular amigo, Caio Ramacciotti, de São Bernardo do Campo, dizendo a ele que aquela mensagem lhe pertencia e outras mais que viessem, porventura, dali por diante. O interessante é que Chico, ao entregar a primeira mensagem a Ramacciotti, escreveu, à frente do nome, a expressão: livro.

Inúmeras outras mensagens vieram e foram repassadas, religiosamente, a Caio, conforme ficou prometido. De minha parte, estou apenas enfatizando o que Geraldo Lemos Neto informa na entrevista.

A Espiritualidade, que, aliás, de mais alto, nos governa nos mundos de relação, reservou a impressão de tais mensagens, em forma de livro, para um momento crítico, no futuro, em que a própria Doutrina e seu dinâmico movimento seriam colocados em dúvida, desde que em dúvida colocado fosse seu principal propagador, Chico Xavier, em publicação que antecedeu a impressão do livro “Mensagens de Inês de Castro”. E foi justamente esse livro que teve o condão de recolocar os fatos nos seus devidos lugares.

O livro “Mensagens de Inês de Castro”, da admirável psicografia de Chico Xavier, demonstra que esse inolvidável médium não animou a personalidade de Flávia Lentúlia (filha de Públio Lêntulus), nem a de Joana (tida como louca), nem a de Caroline Baudin (uma das principais médiuns a serviço de Allan Kardec na codificação do Espiritismo). ‘

Demonstrou que essas personalidades foram algumas das reencarnações da própria Inês de Castro, de cujo espírito se tem notícia desde o reinado de Semíramis, da antiga Babilônia, no império assírio (2.800 anos a.C).

Desfez-se, assim, um lamentável equívoco. De lado a parte deplorável da notícia, que em boa hora se esclarece, é de ver-se a beleza do histórico, poético e espiritual idílio de Inês de Castro e Pedro I, de Portugal. As cartas de Inês de Castro ao então Rei de Portugal e Algarves, Pedro I, nos idos de 1340 a 1355, período mais crítico dos fatos, [Informação do co-autor Caio Ramacciotti – in Mensagens de Inês de Castro – 1ª edição – 2006 – GEEM]. constituem-se em verdadeiros poemas em prosa, a exemplo das páginas mais líricas da Língua Portuguesa(…)

Weimar Muniz de Oliveira

Presidente da Federação Espírita de Goiás (FEEGO) e vice-presidente da Associação Brasileira de Magistrados Espíritas (ABRAME) - 3ª edição de “ A Volta de Allan Kardec” (2008)

Sobre a hipótese de ser Flávia Lentúlia, o testemunho do próprio Chico Xavier, em uma das 15 obras de teor biográfico de Carlos Baccelli - “Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro.” (1986). Esta obra foi publicada durante a parceria mediúnica entre Chico e Baccelli que produziu 10 livros (entre 1984-1988). Chico acompanhava de perto e as atividades doutrinárias de Baccelli e orientava as suas obras, como se pode constatar em diversas cartas trocadas entre ambos durante vários anos, algumas das quais publicadas em “Chico Xavier - O médium dos pés descalços.” O 1º livro citado foi publicado em 1986 com aprovação de Chico Xavier, e no qual se relata no 4º capítulo:

Num sábado de 1980 - Recordamo-nos bem. Foi num sábado passado.Como sempre, uma multidão aguardava-o à sombra do abacateiro. (…) E o vereador falava, empolgado (…) Tecia elogios e mais elogios. Exaltava, diga-se de passagem, com muita justiça, a figura de Chico Xavier, afirmando ter sido ele, em outras vidas, a jovem Flávia, filha do senador Públio Lentulus... Chico permanecia calado, olhos fixos no chão, movimentando a cabeça como se estivesse a dizer para si mesmo: “Não, não”.Inflamado, o vereador continuava... Colocou o Chico no mesmo nível de Emmanuel... Nesse momento, Chico cochicha algo com o Sr. Weaker e este dá um discreto sinal para que o companheiro que falava encerrasse o seu pronunciamento.

Tomando, agora, a palavra, Chico começa a falar e...a chorar. Pena que, naquela oportunidade, não tivéssemos um gravador acionado. Chico fala, muito emocionado, de suas imperfeições, de seus deslizes, de suas lutas. Diz que queria deixar bem claro para a posteridade que ele não era a reencarnação de Flávia, a filha de Emmanuel em outras eras, que ele nem mesmo pertencia à faixa evolutiva de Emmanuel...Todos choram, até mesmo o bailado das folhas do abacateiro, às flautas do vento, cessa...

As psicografias na íntegra de Chico Xavier que deram origem à obra de “Mensagens de Inês de Castro” revelam que além de Caroline Baudin, Inês fora também Joana de Castela e Flávia (filha de Emmanuel), que eram vidas que o livro “Chico, diálogos e recordações” apontava para Chico. Apesar da obra de Chico ter sido publicada, os autores do livro mantiveram a sua versão pessoal contrária à obra do médium nas últimas edições.

A partir de 2009, os seus autores divulgaram uma nova versão: no séc. XIX este espírito que no livro era Dolores Hernandez, afinal, na mesma vida, tinha tido antes outra identidade: Ruth-Celine Japhet. Curiosamente a mesma que tinha sido confundida no livro de Wilson Garcia que citamos inicialmente.

Ruth Japhet não pode ser Caroline Baudin, mas também não pode ser Joana nem Flávia. Porque só se preocuparam com a alegada vida de Chico no séc. XIX? Para impedir que ele seja Kardec, como de fato é? A obra de Chico comprova a trajetória do espírito de Inês de Castro como Flávia, Joana e Caroline e portanto impede que Chico seja Flávia e Joana.

A história de como Ruth Japhet teria alegadamente mudado de identidade dá para outro artigo. Para quem quiser pesquisar o assunto, expomos para análise um documento de 1972, que revela a verdadeira identidade de Ruth Japhet no sec. XX: Fernanda Silva. E não Chico Xavier, como a partir de 2009, Luciano dos Anjos e Wagner Gomes da Paixão quiseram fazer crer, influenciando a comunidade espírita de uma forma que demorará anos a diluir. Nós estamos fazendo a nossa parte.
Psicografia e psicofonia revelam que Chico é Kardec e revelam a real identidade de Ruth-Celine Japhet http://www.vinhadeluz.com.br/site/noticia.php?id=2392

Pelos motivos invocados inicialmente, temos a consciência que o principal alvo de muitas reações agressivas à tese Chico/Kardec é o próprio espírito de Chico Xavier por tudo aquilo que ele representa. As críticas mais preocupantes são as de caráter insidioso. Chico não precisa de defesa, mas a sua obra como Codificador, sim! Está em causa a continuidade da doutrina espírita. Anexo - Tabela esquematiza que a 2ª coluna defendida pelos opositores da tese é equivocada, uma vez que Flávia e Joana são vidas de Inês de Castro e não de Chico. Ruth- Japhet não é Chico Xavier nem Inês. Na 3ª coluna as vidas reais de Chico na época citada das outras personalidades.




Regih Silva, 28 julho 2016

PS. O livro Mensagens de Inês de Castro já está na 31ª edição (Janeiro 2016) e pode ser adquirido na Livraria Virtual do GEEM
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